sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Preconceito

    Quando se fala em preconceito, sinto uma dor tremenda. Sei que não passa de uma dor individual, mas faço necessária para evidenciar essa luz negra que permeia a sociedade. Preconceito não passa de opiniões sem nexo, sem rebocos e só o utilizam para disseminar o ódio perante todos que não conseguem formar uma opinião. Vivemos entre racistas, homofóbicos e mais e mais preconceituosos que julgam a maneira de vestir-se e de comportar-se do outro. 


    Afinal, onde vamos parar? Desde quando criticar a maneira de viver alheia é progresso? Onde está o tão cultuado ''Brasil: um país de todos''? Mais uma vez sinto que fui enganado por uma propaganda mesquinha. A opinião alheia nem sempre nos submete a realizações concretas e a certeza que sinto é que o ''meu país'' nunca será de todos por que os ''todos'' são os mesmos que insistem em matar, espancar, falar mal, humilhar e fazer outros milhões de atrocidades contra a sociedade. 

  Tudo começa em casa. Depois somos obrigados a aceitar que nossos representantes políticos nos roubem e fique como está. Sou obrigado a ver pessoas idosas serem desrespeitadas por motoristas, pessoas, crianças e, principalmente nos ônibus, por elas terem ''mais idade''. Sou obrigado a ver religiosos fervorosos negarem a felicidade alheia, desrespeitando o mandamento de Deus (que por sinal foi esquecido há tempos: ''Amai-vos uns aos outros como a si mesmo.'') Sou obrigado a ver negros serem discriminados por terem uma cor de pele diferente. Sou obrigado a ver homossexuais serem agredidos ou mortos por intolerância. 

     Meus caros, preconceito é uma opinião que nunca vai acabar. Agradeço ao meu bom Deus, todos os dias, pelos preconceitos que não tenho. Não vejo problema em meu semelhante ser negro, rico, pobre, nordestino, olho azul, cabelo pixaim, gay, lésbica... O que me importa de verdade é a felicidade de todos que me rodeiam. E é isso que eu desejo: felicidade para todos aqueles que lutam para ter o respeito de sempre. Respeito esse que está sendo esquecido. 


     Esquecem que todos nós somos iguais, nada nos distingue. Vamos fazer desse país sujo um bom lugar para se viver. Mais tolerância e menos forma de desprezo.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O Entrelinhas

    Sou apaixonado por Literatura. Acho tão fascinante! Se hoje estou cursando Letras, um dos motivos que me levaram para este campo foi a Literatura. Quem se dedica a esta arte, delicia-se profundamente com aspectos que engrandecem, estarrecem e apaixonam.

    Nunca me preocupei com os meios: para mim, a literatura sempre está presente nos melhores veículos: seja pelo famigerado livro impresso, seja pela internet, seja pela televisão... O que importa é o meu contato com esta arte que me fascina cada vez mais.

    Já perdi a conta de quantos livros já li. Não consigo selecionar um autor específico para chamar de ''favorito.'' Para quem não tem acesso aos livros e nem à internet, sente-se agraciado com um dos pontos fortes da nossa televisão: o programa Entrelinhas. O objetivo do programa é levar literatura para todos. Exibido pela TV Cultura todos os domingos, às 21:30 e todas as quartas (reprise), à 00:10, o programa tem a apresentação da atriz Paula Picarelli. 


   Desde 2005 o programa apresenta fatos do universo literário. Obras de autores consagrados, de autores da nova geração, O Entrelinhas brinda leitores dos variados gostos com suas reportagens fascinantes, dinâmicas e ricas em conhecimento. Tudo através de uma linguagem acessível, simples e direta. Além de apresentar o âmbito literário, o programa incentiva a leitura, quebrando, assim, o estigma que ''literatura é algo difícil'', ou de que ''literatura é uma coisa chata.''  O Entrelinhas também abre espaço para a divulgação de novas obras ou reedição de obras antigas. Sem dúvida, um programa que embriaga todos aqueles que bebem literatura.

Paula Picarelli, apresentadora do Entrelinhas
   Portanto, para todos aqueles que, assim como eu, são apaixonados por Literatura, acompanhem o Entrelinhas. Um programa produzido pela TV Cultura, que infelizmente é uma das poucas emissoras que se dedica fidedignamente às artes, cujo objetivo é transmitir cultura, arte, entretenimento de verdade e com qualidade para todos aqueles que se sentem contemplados por assistir aquilo que mais transmite prazer: Literatura & Arte.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A eterna poesia de Ana Cristina Cesar

''Também eu saio à revelia e procuro uma síntese nas demoras. Cato obsessões com fria têmpera e digo do coração: não soube. 
digo da palavra: não digo (não posso ainda acreditar na vida) e demito o verso como quem acena e vivo como quem despede a raiva de ter visto.''
(Psicografia - Ana Cristina Cesar)


    Considerada uma das grandes revelações da poesia, Ana Cristina Cesar destacou-se por apresentar um estilo poético ousado, inovador e singular. Desde que surgiu na década de 1970, é uma das representantes da poesia marginal. Foi poetisa e tradutora. 

    Ana Cristina Cesar nasceu no dia 2 de junho de 1952, no Rio de Janeiro. Desde muito pequena, ela costumava ditar poemas para sua mãe, Maria Luíza. De família culta e protestante, em 1969 a autora viaja à Inglaterra para um intercâmbio e passa um período em Londres, onde conhece e fascina-se pela Literatura Inglesa. 

    Quando retorna ao Brasil, ingressa na faculdade de Letras aos dezenove anos. Nos anos 70, começa a publicar suas prosas poéticas em jornais e revistas. De forma independente, seus primeiros livros são publicados: Cenas de AbrilCorrespondência Completa. Ana Cristina se dedica à pesquisa literária e torna-se mestre em Comunicação. Retorna à Inglaterra para um mestrado em Tradução Literária. Em 1980, de volta ao Brasil, lança Luvas de Pelica. Obra que escreveu enquanto estava na Inglaterra. 

A poetisa e tradutora Ana Cristina Cesar
    Ana Cristina Cesar nos brinda com obras espetaculares. O tom verídico e pessoal tornam suas composições inigualáveis. A autora sempre nos apresenta uma dualidade em que a ficção e a autobiografia se unem para um epílogo perfeito. Sua última obra, A Teus Pés, nos deleita com poemas que misturam-se com a prosa, em uma linguagem íntima, que fascinam pelo seu tino confessional, por tratar do cotidiano de modo construtivo e realista.

A Teus Pés: última obra de Ana Cristina Cesar
    Em 1983, Ana Cristina Cesar cometeu suicídio aos trinta e um anos de idade. Atirou-se do oitavo andar do apartamento de seus pais, em Copacabana. Deixou sua marca dentro do âmbito literário brasileiro. Uma marca eterna. Uma eterna Ana Cristina Cesar.

Abaixo alguns escritos da autora:



Poesia

jardins inabitados pensamentos
pretensas palavras em
pedaços
jardins ausenta-se
a lua figura de
uma falta contemplada
jardins extremos dessa ausência
de jardins anteriores que
recuam
ausência frequentada sem mistério
céu que recua
sem pergunta.



Deus na Antecâmara

Mereço (merecemos, meretrizes)
perdão (perdoai-nos, patres conscripti)
socorro (correi, valei-nos, santos perdidos)

Eu quero me livrar desta poesia infecta
beijar mãos sem elos sem tinturas
consciências soltas pelos ventos
desatando o culto das antecedências
sem medo de dedos de dados de dúvidas
em prontidão 
sanguinária
(sangue e amor se aconchegando
hora atrás de hora)

Eu quero pensar ao apalpar
eu quero dizer ao conviver
eu quero partir ao repartir

filho
pai
e
fogo
DE-LI-BE-RA-DA-MEN-TE
abertos ao tudo inteiro
maiores que o todo nosso
em nós (com a gente) se dando

HOMEM: ACORDA!



Soneto

Pergunto aqui se sou louca 
Quem quer saberá dizer 
Pergunto mais, se sou sã 
E ainda mais, se sou eu 

Que uso o viés pra amar 
E finjo fingir que finjo 
Adorar o fingimento 
Fingindo que sou fingida 

Pergunto aqui meus senhores 
quem é a loura donzela 
que se chama Ana Cristina 

E que se diz ser alguém 
É um fenômeno mor.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A falta que faz

    Vivendo de ilusão. Atualmente, descobri que, por mais que eu lute, sempre haverá sofrimentos, atrocidades e desilusões. Sempre tento ser agradável e aceito por todos, mas vejo que todo meu esforço está sendo em vão. Pessoas mentem, me iludem, me mostram o quanto a hipocrisia prevalece e eu sinto uma tristeza que me assola profundamente. Posso parecer infantil, mas esse meu modo de viver soa bastante medonho. É que eu sou daqueles que faz de uma amizade, de uma pessoa ou de um gesto qualquer, a forma mais verossímil de se viver. 


    Sempre estou ali para agradar ou ajudar alguém e em troca recebo gritos, falta de carinho, de compreensão e, principalmente, falta de amizade. Vejo que tudo que possuo, dentre elas a minha sinceridade estapafúrdia, não serve de nada: insiste em considerar-me evasivo, imbecil, otário. Onde quero chegar? Em lugar nenhum. Só quero que todos que eu venero sejam meus companheiros, meus aliados e que façam por mim o que eu faço por eles. Quero apenas um gesto nobre, um gesto doce. Quero ser adorado, nunca escondi de ninguém o que sou e vejo que muitos me auxiliam nas horas mais difíceis.  

    Mas está sendo pouco. Descobri que nem todos são tão especiais assim e busco uma solução. Não uma solução para a minha vida, mas, sim, para esse vazio que me atormenta. Na vida, nem tudo se recicla, nem se completa algo. Temos que ser fiéis àqueles que nos submetem ao oceano de amizade que cada um possui. O que não é aproveitável, nós iremos jogar no lixo. Por isso, cultivo todas as amizades que tenho como se fosse a última vez que fossemos nos ver. E peço fidelidade sempre. Não posso ter pessoas ao meu redor que só me ignoram, que não me completam e não me aceitam como sou. 


    E assim, vou levando a vida. Feliz por um lado e triste por outro. Afinal, ninguém consegue obter felicidade sozinho. É uma questão de honra, respeito e seriedade.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Amizade

    Nas horas mais difíceis, eles sempre nos auxiliam e nos mostram a saída da caverna escura e fria em que a vida se insere. Quando lágrimas escorrem por nossos rostos, eles sempre estão ali para secar e nos acalentar com palavras doces e frases que acordam nosso sorriso. Quando a vida nos mostra os dois lados da moeda, eles estão ali para nos auxiliar na escolha do caminho, nos ajuda a encontrar a solução e nos ensina que a vida é assim, cheia de altos e baixos e que os tombos sempre irão surgir, que os problemas sempre aparecem e que as quedas nos mostrarão o real valor de se viver.

    Tê-los é sempre necessário. Nas horas alegres, tristes, de decepções, de quedas, abraços, sorrisos, festas e lições, eles sempre nos compreendem, nos revela seu verdadeiro caráter, esquece as diferenças e passa a conviver de maneira simplória, verdadeira, amorosa. Nunca nos esqueçamos de retribuir com todo nosso carinho e fraternidade a essas pessoas que sempre estão nos acalentando nem que seja para sorrir e jogar conversa fora. Eles estão conosco todos os dias, sempre lembrando dos bons momentos, daqueles instantes em que todos são apenas um. Um único meio de adquirir alegria. 


    Eles se chamam AMIGOS e sempre serão eles que nos ensinarão como é bom viver, estar em sintonia, triunfante. Ensinará-nos que nem sempre as vitórias prevalecem e que as derrotas são corriqueiras. Mas de uma coisa podemos ter certeza: o amor é o sentimento primordial entre aqueles que se sentem leves, de bem com a vida. Só quem possui amigos ao extremo pode compreender essas palavras. 

    Por isso, amo meus amigos. Sei que são poucos, mas é a quantidade necessária para fazer, de mim, o ser mais feliz do mundo.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Aprendendo a viver

    Cansei de achar que todos sempre irão me ajudar, me compreender e, principalmente, me aceitarem pelo simples fato de eu ser ''um bom amigo. '' Descubro que não é assim que a banda toca e que a dança está completamente fora de sintonia. Pessoas mentem, te sacaneiam e, na maioria das vezes, só lembram-se da sua existência na hora do aperto. Eu, ser humano provido de bondade e aceitação, sempre estou ali nas horas mais cruciais e colaboro com toda minha atenção, astúcia e companheirismo. 

    Não estou exigindo nada e nem quero: minha solidão sempre se faz a minha maior companheira, minha aliada nas horas de dores e decepções. Tenho a falha de não revelar minhas dores, angústias e tristezas e muitos desconhecem o meu outro eu, a minha outra forma de viver. Não sou só alegrias e sorrisos, sinceridades e verdade, amizade e paixão. Sou também solidão, tristeza, irracional. Meus momentos de tristeza são tão individualistas que me sinto completamente no fundo de um poço. Apego-me a solidão e não resvalo minha angústia a ninguém: esse é um método meu, de pensar e resolver tudo sozinho. 


    Às vezes, em matéria de vida, temos que nos dedicar a solidão para pensarmos o que fazer da vida e das pessoas que nos rodeiam. Tenho a certeza de que possuo amigos maravilhosos, dignos de um troféu. Mas, por outro lado, me sinto só, colocado de escanteio e completamente esquecido. Amor? Eu sinto por pessoas erradas. Definitivamente, amar é o verbo que mais me dá dor de cabeça. Escolho a pessoa amada errada. Escondo sentimentos, não revelo a ninguém a dor que atormenta e assola meu coração. Por isso, sempre aconselho: ame. Ame seus amigos, família e coração. Ame a pessoa escolhida para uma vida. Não faça das mentiras e da hipocrisia, as formas mais tristes de alimentar a vida. 

    Não seja algoz ao ponto de excluir e menosprezar alguém. Eu, por achar que tinha todos à minha disposição, caí do cavalo e descobri que nem todos estão dispostos a me ajudar. Compreenda os fatos da vida. Aceite os tombos. Aprenda com as quedas. Faça das pedras atiradas, o material necessário para a felicidade. Aceite todos devidamente como são. E não implique, não julgue, não seja hipócrita: curta sua vida da maneira mais natural possível. Se for preciso, mude. Se transforme no ser humano mais singelo possível. Ame. Compreenda. Entenda. A vida, meus caros, está cada vez mais necessitando de carinho e afeto. 

    Enquanto as pessoas não aprenderem a viver, nós sempre estaremos no patamar zero. Zero em amor, zero em matéria de vida. Viver acalentando sonhos e desejos e sempre pensando no próximo da maneira mais simples, doce e verdadeira possível.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Não vai mudar

    Não querem aceitar a verdade e insistem em mergulhar no rio de falsidades e imoralidades que sondam o mundo. Não querem crer que a sociedade mudou, que as pessoas mudaram e nem sempre o planejado sai como esperado.

    Insistem em condenar, assassinar, menosprezar e criticar o próximo, se achando no direito de manipular a vitalidade alheia. Querem transformar inocentes, homossexuais, mulheres, crianças e muitas outras classes da sociedade em cobaias. Quem deveria nos honrar, nos assalta e continuará assim. Pois, neste país é sempre assim e assim vai continuar.

''Quem deveria nos honrar nos assalta.''
   Quem deveria nos proteger, agora é quem mata, discrimina e nos faz passar vergonha. Quem é considerado santidade terrena é quem está cometendo as atrocidades de hoje. Cansei de me preocupar com a mudança do país, das pessoas e dos políticos. Tudo continua na mesma. Continuam a nos rotular como idiotas e a sociedade fecha os olhos para a realidade.


    Não querem aceitar, não vão aceitar e não querem crer que a mudança começa por nós. Por que somos nós que regemos as ideologias, elegemos esses corruptos e desacreditamos que, um dia, o Brasil possa honrar as cores de sua bandeira. Tudo isso é uma forma de pensar, pois nunca vai se concretizar.