sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Depois de um sonho

Noite feliz aquela. Tão feliz que só me restam lembranças, das quais não quero esquecer nunca. Fui tão amado e me senti tão domado que meus olhos encheram-se de lágrimas e meu estado emotivo evolui e me fere completamente. 

Nesta noite, me senti completo: com palavras e situações pude perceber que alguém me amava e que eu amava também. O calor do amor me consumia e eu me sentia recheado de paixão. Eu exalava carinho pelos meus poros como ventos de felicidade.


Como me senti estufado de amor e eu nem sabia o que isso significava! Depois dessa noite me senti mais amável, mais compreensivo, capaz de aceitar as imoralidades que rondam o planeta. Fui até o céu. Voltei. Subi novamente, mas desta vez pelas paredes. Um fogo me consumia e lá vinha à água da paixão acarretar para a felicidade. 

Quando essa noite passou, pude acreditar que tudo não passou de um sonho. Aqueles sonhos bons, repletos de florzinhas alegres e tempestades de coraçãozinhos. Um sonho tão real que eu pensei em fechar os olhos e nunca mais acordar. Infeliz de quem acredita em palavras de um amor não-verdadeiro! Fui enganado. Fui usado e toda minha autoestima desapareceu por completo.


Eu não acredito mais em amor à primeira vista. Acredito em amor real, amor consumado, amor que se pode compreender, aceitar e degustar. Voar entre aqueles braços, que apertam, que confortam e que nos ensina a amar com repletas atitudes, alegrias e sorrisos: o que mais desejo. Talvez este seja um desejo irrealizável. Em sonho, tudo foi maravilhoso. Na vida real, tudo não passa de ilusão.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Sempre Perto do Coração Selvagem de minha vida

''Nela havia uma qualidade cristalina e dura que o atraía e repugnava-lhe simultaneamente.'' 
(Clarice Lispector sobre Joana, a protagonista do romance Perto do Coração Selvagem)
Não. Não estou aqui para relatar todo o meu amor por Clarice Lispector. É de conhecimento de todos que a autora é uma espécie de musa para mim. Sei que Clarice compõe o mais alto sentimento que um leitor pode ter por seu ídolo. Seus romances, seus contos, suas crônicas, sempre representam algo muito forte para mim. Ao entrar em contato com Perto do Coração Selvagem, pude ter a certeza de que Clarice representa mais que um romance. Ela representa todo meu ser. Seja nos sentimentos reclusos ou nos mais expostos possíveis.

Quando li Perto do Coração Selvagem, eu me identifiquei muito com a protagonista deste romance, a Joana. Uma mulher de fibra, com atitudes animalescas, cheia de incertezas. Publicado em 1944, Perto do Coração Selvagem é o primeiro romance de Clarice Lispector e a minha primeira experiência em romances com a autora. Um romance que trava uma luta com o próprio subjetivismo, uma ruptura com o enredo tradicional e muitos outros elementos que fazem deste romance um diferencial em nossa Literatura.

O romance conta a história de Joana, menina órfã e que viveu a infância ao lado do pai, a quem confiou, por meio de brincadeiras, suas incertezas infantis. Sonhadora, contemplativa e, inconscientemente, provocava os adultos com suas questões e opiniões. Sua mãe, Elza, morreu quando ainda era muito pequena. Sendo assim, passa a morar com os tios. Logo nos primeiros dias de convívio, a dureza revela ares de hipocrisia. A relação de Joana com sua tia é tensa, mas conseguem viver sob o mesmo teto. Um dia, Joana rouba um livro quando vai às compras com sua tia. Tudo isso não passa de um teste para assustar a si e aos outros. Desaprovando esse tipo de conduta, a tia pede ao marido que encaminhasse Joana a um colégio interno, onde as diferenças, entre a menina e o mundo que a cercava, iriam se acentuar. A constante vocação para o mal e o desconhecimento de si mesma faziam parte do processo de descobrir-se, encontrar a razão de ser de sua existência. Durante este processo, surge um Professor que a aconselha, lhe dá ouvidos, mas tudo na medida do possível. Tal professor torna-se o amor de adolescente de Joana. O professor, casado, faz Joana sentir inveja da esposa e faz a pobre adolescente sofrer as dores de seu primeiro amor. Ao sair do internato, Joana casa-se com Otávio. Este, por sua vez, mantinha um relacionamento amoroso com Lídia, sua ex-noiva, a quem engravidou. Isso seria a causa da separação entre Otávio e Joana, além da diferença de temperamentos, expectativa de vida e compreensão de mundo do casal. Joana descobre o enlaço amoroso entre Otávio e Lídia e encara com naturalidade esta situação. Não provoca escândalo nem drama. No entanto, no seu interior, esse fato lhe causava muitas reflexões. Uma delas é o projeto de ter um filho com o marido, antes de devolvê-lo à rival. Isso não se realizou e Otávio partiu, deixando uma suposta promessa de volta no ar. Logo após a separação, Joana começa a ser seguida por um homem desconhecido durante algum tempo. Um certo dia, ela se viu na casa desse estranho e, sem sequer saber-lhe o nome, desejando conhecê-lo por outras fontes e por outros caminhos, com ele teve alguns encontros. O desconhecido que, para ela, era mais um salto para sua auto-investigação, um dia, acabou partindo. Por fim, Joana também parte. Embarca sozinha para uma viagem não muito bem definida, dando a entender que, naquele momento, teria condições de se resgatar. (Fonte Passeiweb)



Reconheço: identifico-me muito com Joana. A personagem possui certas atitudes que eu também tenho (ou tive, não sei ao certo) que já levaram a me perguntar e tentar descobrir quem verdadeiramente sou. Uma constante briga com o meu subjetivismo interior. É mergulhar a colher na tigela do inconsciente e nada sair desta. Ler Perto do Coração Selvagem me levou a ter uma visão mais profunda de mim mesmo. Pude entrar em contato com a minha introspecção. De início, o enredo parece um pouco incompreensível, mas é um romance que marca, que mexe com os íntimos de quem se dedica a esta história. 

Portanto, li e recomendo Perto do Coração Selvagem para todos que ainda nem se quiser chegaram perto do seu martírio interior. Assim como Joana, eu também busco uma definição para mim mesmo. Pude observar os meus conteúdos, os meus próprios estados mentais, tomando consciência deles. Um dia embarcarei sozinho para uma viagem e verei se tenho condições para resgatar-me. Não será fácil, mas farei o possível para, enfim, estar sempre perto do coração selvagem de minha vida.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O real motivo para sentir felicidade

    Amar é sofrer. Amar faz bem. Amar é o verbo mais conjugado por pessoas que se iludem com ele. Por isso, eu amei a pessoa errada e agora sinto uma alegria que me contagia. É que a pessoa que me fez sofrer me ensinou a cultivar as dores como algo bom, como um ensinamento.


    Não adianta brigar, chorar, tentar suicídio: o ponto de partida para a felicidade é encarar com naturalidade as perdas e fazer de cada lágrima uma nova forma de viver. Assim, lute com todas as forças e faça de você um muro: alto, forte e que ninguém venha com um sopro e derrube. 

    Conto de fadas é para pessoas fracas, que não medem esforços para abdicar a tristeza. Tristeza? Faz parte do passado. Alegria? É o meu presente. O futuro? Bem, o futuro eu não sei. 


    Só sei que o meu futuro está reservado para uma pessoa que vai me amar sem esforços, com carinhos indescritíveis, com agonias e pecados imperdoáveis. Lutar para ser feliz é o que faz da vida a maneira mais rica de se obter felicidade.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Relato de um ser que encontrou a felicidade

    Tentei aprisionar a felicidade em uma gaiola, mas não consegui. Entendi que felicidade é algo que se busca no interior, em momentos compartilhados com quem amamos e em situações em que nos sentimos donos, reis, soberanos da vida. 


    Tentei ser feliz e consegui. Quando estamos em estado agudo de felicidade, não conseguimos pensar em choro nem em tristeza. Afinal, devemos chorar pelas coisas boas que conseguimos. Uma pessoa já me fez feliz. Hoje em dia, ela não existe mais. Não morreu e nem desapareceu. Ela simplesmente sumiu de mim. Não me fazia feliz como outrora e resolvi esquecê-la. Mesmo assim, a felicidade reina em mim. 

    Amor e felicidade andam pelo mesmo caminho e sou feliz por amar e por me sentir tão bem ao lado daqueles que me aceitam, me compreendem e que fazem de tudo para que essa felicidade se propague. Não me deixam abaixar a cabeça e fazem de mim o ser mais risonho, mais magnífico, mais satisfeito possível. 


    Busquei a felicidade e dela não quero me perder. FE-LI-CI-DA-DE. Assim, com todas as letras. Sinto-me feliz e compatível com as minhas próprias ideologias.
 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Preconceito

    Quando se fala em preconceito, sinto uma dor tremenda. Sei que não passa de uma dor individual, mas faço necessária para evidenciar essa luz negra que permeia a sociedade. Preconceito não passa de opiniões sem nexo, sem rebocos e só o utilizam para disseminar o ódio perante todos que não conseguem formar uma opinião. Vivemos entre racistas, homofóbicos e mais e mais preconceituosos que julgam a maneira de vestir-se e de comportar-se do outro. 


    Afinal, onde vamos parar? Desde quando criticar a maneira de viver alheia é progresso? Onde está o tão cultuado ''Brasil: um país de todos''? Mais uma vez sinto que fui enganado por uma propaganda mesquinha. A opinião alheia nem sempre nos submete a realizações concretas e a certeza que sinto é que o ''meu país'' nunca será de todos por que os ''todos'' são os mesmos que insistem em matar, espancar, falar mal, humilhar e fazer outros milhões de atrocidades contra a sociedade. 

  Tudo começa em casa. Depois somos obrigados a aceitar que nossos representantes políticos nos roubem e fique como está. Sou obrigado a ver pessoas idosas serem desrespeitadas por motoristas, pessoas, crianças e, principalmente nos ônibus, por elas terem ''mais idade''. Sou obrigado a ver religiosos fervorosos negarem a felicidade alheia, desrespeitando o mandamento de Deus (que por sinal foi esquecido há tempos: ''Amai-vos uns aos outros como a si mesmo.'') Sou obrigado a ver negros serem discriminados por terem uma cor de pele diferente. Sou obrigado a ver homossexuais serem agredidos ou mortos por intolerância. 

     Meus caros, preconceito é uma opinião que nunca vai acabar. Agradeço ao meu bom Deus, todos os dias, pelos preconceitos que não tenho. Não vejo problema em meu semelhante ser negro, rico, pobre, nordestino, olho azul, cabelo pixaim, gay, lésbica... O que me importa de verdade é a felicidade de todos que me rodeiam. E é isso que eu desejo: felicidade para todos aqueles que lutam para ter o respeito de sempre. Respeito esse que está sendo esquecido. 


     Esquecem que todos nós somos iguais, nada nos distingue. Vamos fazer desse país sujo um bom lugar para se viver. Mais tolerância e menos forma de desprezo.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O Entrelinhas

    Sou apaixonado por Literatura. Acho tão fascinante! Se hoje estou cursando Letras, um dos motivos que me levaram para este campo foi a Literatura. Quem se dedica a esta arte, delicia-se profundamente com aspectos que engrandecem, estarrecem e apaixonam.

    Nunca me preocupei com os meios: para mim, a literatura sempre está presente nos melhores veículos: seja pelo famigerado livro impresso, seja pela internet, seja pela televisão... O que importa é o meu contato com esta arte que me fascina cada vez mais.

    Já perdi a conta de quantos livros já li. Não consigo selecionar um autor específico para chamar de ''favorito.'' Para quem não tem acesso aos livros e nem à internet, sente-se agraciado com um dos pontos fortes da nossa televisão: o programa Entrelinhas. O objetivo do programa é levar literatura para todos. Exibido pela TV Cultura todos os domingos, às 21:30 e todas as quartas (reprise), à 00:10, o programa tem a apresentação da atriz Paula Picarelli. 


   Desde 2005 o programa apresenta fatos do universo literário. Obras de autores consagrados, de autores da nova geração, O Entrelinhas brinda leitores dos variados gostos com suas reportagens fascinantes, dinâmicas e ricas em conhecimento. Tudo através de uma linguagem acessível, simples e direta. Além de apresentar o âmbito literário, o programa incentiva a leitura, quebrando, assim, o estigma que ''literatura é algo difícil'', ou de que ''literatura é uma coisa chata.''  O Entrelinhas também abre espaço para a divulgação de novas obras ou reedição de obras antigas. Sem dúvida, um programa que embriaga todos aqueles que bebem literatura.

Paula Picarelli, apresentadora do Entrelinhas
   Portanto, para todos aqueles que, assim como eu, são apaixonados por Literatura, acompanhem o Entrelinhas. Um programa produzido pela TV Cultura, que infelizmente é uma das poucas emissoras que se dedica fidedignamente às artes, cujo objetivo é transmitir cultura, arte, entretenimento de verdade e com qualidade para todos aqueles que se sentem contemplados por assistir aquilo que mais transmite prazer: Literatura & Arte.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A eterna poesia de Ana Cristina Cesar

''Também eu saio à revelia e procuro uma síntese nas demoras. Cato obsessões com fria têmpera e digo do coração: não soube. 
digo da palavra: não digo (não posso ainda acreditar na vida) e demito o verso como quem acena e vivo como quem despede a raiva de ter visto.''
(Psicografia - Ana Cristina Cesar)


    Considerada uma das grandes revelações da poesia, Ana Cristina Cesar destacou-se por apresentar um estilo poético ousado, inovador e singular. Desde que surgiu na década de 1970, é uma das representantes da poesia marginal. Foi poetisa e tradutora. 

    Ana Cristina Cesar nasceu no dia 2 de junho de 1952, no Rio de Janeiro. Desde muito pequena, ela costumava ditar poemas para sua mãe, Maria Luíza. De família culta e protestante, em 1969 a autora viaja à Inglaterra para um intercâmbio e passa um período em Londres, onde conhece e fascina-se pela Literatura Inglesa. 

    Quando retorna ao Brasil, ingressa na faculdade de Letras aos dezenove anos. Nos anos 70, começa a publicar suas prosas poéticas em jornais e revistas. De forma independente, seus primeiros livros são publicados: Cenas de AbrilCorrespondência Completa. Ana Cristina se dedica à pesquisa literária e torna-se mestre em Comunicação. Retorna à Inglaterra para um mestrado em Tradução Literária. Em 1980, de volta ao Brasil, lança Luvas de Pelica. Obra que escreveu enquanto estava na Inglaterra. 

A poetisa e tradutora Ana Cristina Cesar
    Ana Cristina Cesar nos brinda com obras espetaculares. O tom verídico e pessoal tornam suas composições inigualáveis. A autora sempre nos apresenta uma dualidade em que a ficção e a autobiografia se unem para um epílogo perfeito. Sua última obra, A Teus Pés, nos deleita com poemas que misturam-se com a prosa, em uma linguagem íntima, que fascinam pelo seu tino confessional, por tratar do cotidiano de modo construtivo e realista.

A Teus Pés: última obra de Ana Cristina Cesar
    Em 1983, Ana Cristina Cesar cometeu suicídio aos trinta e um anos de idade. Atirou-se do oitavo andar do apartamento de seus pais, em Copacabana. Deixou sua marca dentro do âmbito literário brasileiro. Uma marca eterna. Uma eterna Ana Cristina Cesar.

Abaixo alguns escritos da autora:



Poesia

jardins inabitados pensamentos
pretensas palavras em
pedaços
jardins ausenta-se
a lua figura de
uma falta contemplada
jardins extremos dessa ausência
de jardins anteriores que
recuam
ausência frequentada sem mistério
céu que recua
sem pergunta.



Deus na Antecâmara

Mereço (merecemos, meretrizes)
perdão (perdoai-nos, patres conscripti)
socorro (correi, valei-nos, santos perdidos)

Eu quero me livrar desta poesia infecta
beijar mãos sem elos sem tinturas
consciências soltas pelos ventos
desatando o culto das antecedências
sem medo de dedos de dados de dúvidas
em prontidão 
sanguinária
(sangue e amor se aconchegando
hora atrás de hora)

Eu quero pensar ao apalpar
eu quero dizer ao conviver
eu quero partir ao repartir

filho
pai
e
fogo
DE-LI-BE-RA-DA-MEN-TE
abertos ao tudo inteiro
maiores que o todo nosso
em nós (com a gente) se dando

HOMEM: ACORDA!



Soneto

Pergunto aqui se sou louca 
Quem quer saberá dizer 
Pergunto mais, se sou sã 
E ainda mais, se sou eu 

Que uso o viés pra amar 
E finjo fingir que finjo 
Adorar o fingimento 
Fingindo que sou fingida 

Pergunto aqui meus senhores 
quem é a loura donzela 
que se chama Ana Cristina 

E que se diz ser alguém 
É um fenômeno mor.