terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Falso Rótulo

Criticam-me por causa de minha antipatia. Não conseguem entender que eu não consigo ser simpático com todos e insistem em me rotular como chato. Não sou chato: só tenho uma visão seletiva. Não consigo mostrar os dentes para pessoas que não me agradam. Veja bem, eu não odeio as pessoas.


Até acho elas chatas, mesquinhas e insossas, mas não tenho motivos e nem situações cômicas que me fazem ser ''o maior simpático que já existiu.'' Em determinados locais entro mudo, saio calado e só falo com quem eu conheço. Depois, chego a locais onde pessoas não me respeitam e cochicham e me olham dos pés a cabeça e ainda tenho que ser simpático? Não mesmo.


Isso tudo faz parte do meu caráter. Odeio boa parte da sociedade e idolatro meus amigos. Mas dizer que sou chato ao extremo, isso eu repudio! Quem quiser me amar, me ame do jeitinho que sou: alegre, simpático, sincero, meigo, carinhoso. Faço questão de revelar de imediato quem sou: uma pessoa rude, exigente, livre de preconceitos e que ama todas aquelas pessoas que me proporcionam um mínimo de alegria, de força de vontade e que não se importam com a minha presença que, pode ter certeza, não é chata.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Simplórias palavras de amizade

Dos milhares de defeitos que possuo, o maior deles é acreditar de mais nas pessoas. Dedico-me tanto e elas não fazem o mesmo por mim. Aprendi a dizer não. Aqueles que só me exploravam, hoje imploram meu perdão e eu dou de ombros e finjo não enxergar. Não ligo que me façam de idiota: na verdade, busco sempre um aprendizado, uma nova forma de encarar o humano.


Não escondo minhas reais intenções. Todos sabem da minha sinceridade extrema. Do meu jeito estranho de levar a vida. Da minha aspereza. Da minha forma de transmitir humor. Do meu gosto mais particular. E do essencial: eu cultivo uma amizade, seja com quem for. Por isso, repito sempre: só é sua amiga aquela pessoa que te surpreende com atitudes inimagináveis.


Do nada, começa-se uma nova forma de amar, de compartilhar. Cultive seus amigos verdadeiros. Os que brincam com teus sentimentos, exclua. Esqueça. Pessoas assim não precisam dos nossos esforços para alegrá-las. Quero ser feliz, mas de qualquer modo precisarei de um amigo para seguir comigo nesses caminhos difíceis.

Caminhos que nem sempre são fáceis, mas que não são impossíveis quando estamos ao lado daquela pessoa que chamamos de amigo, irmão. Só quem possui um amigo verdadeiro entenderá estas simplórias palavras. Uma lição para a vida.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Uma breve amargura

Nada de doce. Minha vida é mesmo amarga. Eu sou amargo comigo mesmo e, algumas vezes, com o próximo. 

Nada de bancar o idiota. Insistem em me enganar, em me maltratar, em me iludir. Nada está sendo doce. Minha vida está sendo é muito dura, passível de significado. 

Precisa-se de um professor na arte de contar verdades. Isso mesmo: verdades! Cansei de hipocrisia. Cansei de achar que todos me amam. Cansei de esperar atitudes. Afinal, poucos se importam com o meu estado de vida. 

Não estou para elogios. Que minha amargura se propague entre todos: amigos, família, sociedade. Que causem risos, que arranque lágrimas e que provoque a ira dos tolos que enchem minha vida com fatos ilusórios, medíocres. 


Quero que a minha amargura se perca nos braços de um grande amor: mesmo assim, não cederei. Não serei doce. 

Fui doce uma vez e os açúcares não me deleitaram completamente. Por fim, desejo que tudo na vida de vocês, leitores, esteja doce. Pois, a minha está amarga.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Depois de um sonho

Noite feliz aquela. Tão feliz que só me restam lembranças, das quais não quero esquecer nunca. Fui tão amado e me senti tão domado que meus olhos encheram-se de lágrimas e meu estado emotivo evolui e me fere completamente. 

Nesta noite, me senti completo: com palavras e situações pude perceber que alguém me amava e que eu amava também. O calor do amor me consumia e eu me sentia recheado de paixão. Eu exalava carinho pelos meus poros como ventos de felicidade.


Como me senti estufado de amor e eu nem sabia o que isso significava! Depois dessa noite me senti mais amável, mais compreensivo, capaz de aceitar as imoralidades que rondam o planeta. Fui até o céu. Voltei. Subi novamente, mas desta vez pelas paredes. Um fogo me consumia e lá vinha à água da paixão acarretar para a felicidade. 

Quando essa noite passou, pude acreditar que tudo não passou de um sonho. Aqueles sonhos bons, repletos de florzinhas alegres e tempestades de coraçãozinhos. Um sonho tão real que eu pensei em fechar os olhos e nunca mais acordar. Infeliz de quem acredita em palavras de um amor não-verdadeiro! Fui enganado. Fui usado e toda minha autoestima desapareceu por completo.


Eu não acredito mais em amor à primeira vista. Acredito em amor real, amor consumado, amor que se pode compreender, aceitar e degustar. Voar entre aqueles braços, que apertam, que confortam e que nos ensina a amar com repletas atitudes, alegrias e sorrisos: o que mais desejo. Talvez este seja um desejo irrealizável. Em sonho, tudo foi maravilhoso. Na vida real, tudo não passa de ilusão.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Sempre Perto do Coração Selvagem de minha vida

''Nela havia uma qualidade cristalina e dura que o atraía e repugnava-lhe simultaneamente.'' 
(Clarice Lispector sobre Joana, a protagonista do romance Perto do Coração Selvagem)
Não. Não estou aqui para relatar todo o meu amor por Clarice Lispector. É de conhecimento de todos que a autora é uma espécie de musa para mim. Sei que Clarice compõe o mais alto sentimento que um leitor pode ter por seu ídolo. Seus romances, seus contos, suas crônicas, sempre representam algo muito forte para mim. Ao entrar em contato com Perto do Coração Selvagem, pude ter a certeza de que Clarice representa mais que um romance. Ela representa todo meu ser. Seja nos sentimentos reclusos ou nos mais expostos possíveis.

Quando li Perto do Coração Selvagem, eu me identifiquei muito com a protagonista deste romance, a Joana. Uma mulher de fibra, com atitudes animalescas, cheia de incertezas. Publicado em 1944, Perto do Coração Selvagem é o primeiro romance de Clarice Lispector e a minha primeira experiência em romances com a autora. Um romance que trava uma luta com o próprio subjetivismo, uma ruptura com o enredo tradicional e muitos outros elementos que fazem deste romance um diferencial em nossa Literatura.

O romance conta a história de Joana, menina órfã e que viveu a infância ao lado do pai, a quem confiou, por meio de brincadeiras, suas incertezas infantis. Sonhadora, contemplativa e, inconscientemente, provocava os adultos com suas questões e opiniões. Sua mãe, Elza, morreu quando ainda era muito pequena. Sendo assim, passa a morar com os tios. Logo nos primeiros dias de convívio, a dureza revela ares de hipocrisia. A relação de Joana com sua tia é tensa, mas conseguem viver sob o mesmo teto. Um dia, Joana rouba um livro quando vai às compras com sua tia. Tudo isso não passa de um teste para assustar a si e aos outros. Desaprovando esse tipo de conduta, a tia pede ao marido que encaminhasse Joana a um colégio interno, onde as diferenças, entre a menina e o mundo que a cercava, iriam se acentuar. A constante vocação para o mal e o desconhecimento de si mesma faziam parte do processo de descobrir-se, encontrar a razão de ser de sua existência. Durante este processo, surge um Professor que a aconselha, lhe dá ouvidos, mas tudo na medida do possível. Tal professor torna-se o amor de adolescente de Joana. O professor, casado, faz Joana sentir inveja da esposa e faz a pobre adolescente sofrer as dores de seu primeiro amor. Ao sair do internato, Joana casa-se com Otávio. Este, por sua vez, mantinha um relacionamento amoroso com Lídia, sua ex-noiva, a quem engravidou. Isso seria a causa da separação entre Otávio e Joana, além da diferença de temperamentos, expectativa de vida e compreensão de mundo do casal. Joana descobre o enlaço amoroso entre Otávio e Lídia e encara com naturalidade esta situação. Não provoca escândalo nem drama. No entanto, no seu interior, esse fato lhe causava muitas reflexões. Uma delas é o projeto de ter um filho com o marido, antes de devolvê-lo à rival. Isso não se realizou e Otávio partiu, deixando uma suposta promessa de volta no ar. Logo após a separação, Joana começa a ser seguida por um homem desconhecido durante algum tempo. Um certo dia, ela se viu na casa desse estranho e, sem sequer saber-lhe o nome, desejando conhecê-lo por outras fontes e por outros caminhos, com ele teve alguns encontros. O desconhecido que, para ela, era mais um salto para sua auto-investigação, um dia, acabou partindo. Por fim, Joana também parte. Embarca sozinha para uma viagem não muito bem definida, dando a entender que, naquele momento, teria condições de se resgatar. (Fonte Passeiweb)



Reconheço: identifico-me muito com Joana. A personagem possui certas atitudes que eu também tenho (ou tive, não sei ao certo) que já levaram a me perguntar e tentar descobrir quem verdadeiramente sou. Uma constante briga com o meu subjetivismo interior. É mergulhar a colher na tigela do inconsciente e nada sair desta. Ler Perto do Coração Selvagem me levou a ter uma visão mais profunda de mim mesmo. Pude entrar em contato com a minha introspecção. De início, o enredo parece um pouco incompreensível, mas é um romance que marca, que mexe com os íntimos de quem se dedica a esta história. 

Portanto, li e recomendo Perto do Coração Selvagem para todos que ainda nem se quiser chegaram perto do seu martírio interior. Assim como Joana, eu também busco uma definição para mim mesmo. Pude observar os meus conteúdos, os meus próprios estados mentais, tomando consciência deles. Um dia embarcarei sozinho para uma viagem e verei se tenho condições para resgatar-me. Não será fácil, mas farei o possível para, enfim, estar sempre perto do coração selvagem de minha vida.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O real motivo para sentir felicidade

    Amar é sofrer. Amar faz bem. Amar é o verbo mais conjugado por pessoas que se iludem com ele. Por isso, eu amei a pessoa errada e agora sinto uma alegria que me contagia. É que a pessoa que me fez sofrer me ensinou a cultivar as dores como algo bom, como um ensinamento.


    Não adianta brigar, chorar, tentar suicídio: o ponto de partida para a felicidade é encarar com naturalidade as perdas e fazer de cada lágrima uma nova forma de viver. Assim, lute com todas as forças e faça de você um muro: alto, forte e que ninguém venha com um sopro e derrube. 

    Conto de fadas é para pessoas fracas, que não medem esforços para abdicar a tristeza. Tristeza? Faz parte do passado. Alegria? É o meu presente. O futuro? Bem, o futuro eu não sei. 


    Só sei que o meu futuro está reservado para uma pessoa que vai me amar sem esforços, com carinhos indescritíveis, com agonias e pecados imperdoáveis. Lutar para ser feliz é o que faz da vida a maneira mais rica de se obter felicidade.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Relato de um ser que encontrou a felicidade

    Tentei aprisionar a felicidade em uma gaiola, mas não consegui. Entendi que felicidade é algo que se busca no interior, em momentos compartilhados com quem amamos e em situações em que nos sentimos donos, reis, soberanos da vida. 


    Tentei ser feliz e consegui. Quando estamos em estado agudo de felicidade, não conseguimos pensar em choro nem em tristeza. Afinal, devemos chorar pelas coisas boas que conseguimos. Uma pessoa já me fez feliz. Hoje em dia, ela não existe mais. Não morreu e nem desapareceu. Ela simplesmente sumiu de mim. Não me fazia feliz como outrora e resolvi esquecê-la. Mesmo assim, a felicidade reina em mim. 

    Amor e felicidade andam pelo mesmo caminho e sou feliz por amar e por me sentir tão bem ao lado daqueles que me aceitam, me compreendem e que fazem de tudo para que essa felicidade se propague. Não me deixam abaixar a cabeça e fazem de mim o ser mais risonho, mais magnífico, mais satisfeito possível. 


    Busquei a felicidade e dela não quero me perder. FE-LI-CI-DA-DE. Assim, com todas as letras. Sinto-me feliz e compatível com as minhas próprias ideologias.